O parto humanizado surgiu da necessidade de resgatar o valor do ser humano nos nossos semelhantes e criar uma maior conexão com o próximo.

Até pouco tempo atrás, o parto era algo exclusivamente realizado entre as mulheres e voltado para mulheres. Com o passar do tempo e com a mudança da cultura, o homem começou a participar do parto enquanto médico.

Quando os partos foram transferidos para os hospitais, com o uso de medicação e de procedimentos profiláticos, intervenções e rotinas, o momento que antes era puramente fisiológico e natural – sem desmerecer a grande importância do avanço da área médica – passou a ganhar contornos mais artificiais.

 

Evitar a intervenção

Com uma certa desvalorização do parto e o aumento de intervenções cirúrgicas, muitas mulheres prescindiram de buscar informações, perdendo sua autonomia de decisão ao analisar argumentos que muitas vezes confundem ou assustam a gestante.

Hoje existe uma quase consenso na área médica de que a preferência deve ser dada para o parto com a menor intervenção possível. Ainda que o processo de desmedicalização não signifique a exclusão do médico e dos profissionais da saúde do processo de parto e puerpério, atualmente é muito comum e recomendado abrir o caminho para que outros profissionais da saúde como enfermeiros obstetras e doulas empreguem a práticas não invasivas em partos de risco habitual.

 

Apoio familiar

O acompanhamento da família durante o trabalho de parto e pós-parto também é um grande passo no processo de humanização do procedimento. O apoio emocional e o incentivo de pessoas próximas trazem conforto à gestante, confiança e estímulo para enfrentar os momentos mais difíceis. Esse apoio pode, inclusive, aumentar as chances de que a mulher tenha seu filho sem complicações e com o mínimo de intervenções. Na prática, observa-se até mesmo a diminuição da durabilidade do trabalho de parto quando há apoio familiar.

 

Contato precoce

Mãe e filho devem ser respeitados no momento do parto e sua ligação depende do contato entre o dois, imediatamente após o nascimento, sempre que possível. Assim, o contato precoce é outro quesito central para o processo de humanização do parto.

“Humanizar o parto é respeitar e criar condições para que todas as dimensões espirituais, psicológicas e biológicas do ser humano sejam atendidas.” – M. Largura.

O contato precoce mãe-filho na sala de parto contribui para a formação do apego, pois no pós-parto imediato, o recém-nascido encontra-se no período compreendido como inatividade alerta, os primeiros 30 a 60 minutos após o nascimento, momento em que responde aos estímulos externos, vê, ouve e move-se de acordo com a escuta da voz materna.

Portanto, o parto é uma experiência que a mulher vai levar para o resto de sua vida, podendo deixar marcas positivas ou negativas. É de suma importância que o profissional saiba olhar a parturiente como um ser único, dando-lhe autonomia, segurança, permitindo e estimulando o apoio familiar e o contato precoce mãe-bebê, para estabelecer os vínculos mamãe-bebê, contribuindo, assim, para uma prática mais humana no parto e pós-parto.

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