Pensar em parto normal remete automaticamente a uma dor insuportável. Muitas mulheres, inclusive, desistem do parto por via baixa (parto normal) antes mesmo de entrarem em trabalho de parto.

Influências negativas de amigas e até mesmo de mães e médicos, que alarmam para o “sofrimento” pelo qual toda mulher grávida deve passar durante o parto costuma assustar as gestantes.  Alguns médicos até incentivam nascimentos por via alta (cesárea) com a intenção de fazer mais cirurgias em um período menor de tempo.

Não só por isso se estabeleceu uma cultura da cesariana, mas, em boa medida, a medicina também está associada à correria dos tempos modernos.

Até para nascer, temos que nascer depressa.

Nessa mentalidade, a dor do parto passou a ser compreendida somente no seu aspecto fisiológico, e acabaram esquecidas as dimensões psicológicas e espiritual que envolvem o procedimento. O parto é o momento da plenitude da maternidade.

A intensidade da dor varia de mulher para mulher, e muda também de acordo com o modo pelo qual a parturiente encara aquele momento. Acredite, a imagem que a mulher tem do parto pode aumentar ou reduzir o desconforto desde o momento das contrações, onde a dor física normalmente começa a se acentuar.

Muitas mães já encaram a dor do parto como parte do processo de geração de uma criança e justamente por isso conseguem viver o momento de maneira mais suave. “Tive meu segundo filho praticamente sem dor, depois de me dedicar sozinha à leitura sobre o parto humanizado, à prática dos exercícios e à aplicação dos conhecimentos adquiridos na hora do parto”, diz C.M., mãe de dois filhos.

O problema é que existe o peso de inúmeros relatos negativos de parto, em uma cultura que muito lentamente resgata o parto normal domiciliar e mais lentamente introduz a ideia do parto humanizado nos serviços de saúde. Esse medo gera bloqueios que fazem a mulher recorrer à analgésicos e até mesmo à cesárea sem indicação médica.

A atitude em relação à dor afeta o modo de senti-la, podendo aumentar ou reduzir essa sensação. Ou seja, a dor psicológica pode aumentar a percepção de dor física.

 

Fugir não é a melhor alternativa

Para escapar do sofrimento, muitas gestantes recorrem à cesárea, às vezes sem imaginar que a dor que duraria algumas horas, pode se arrastar por dias. Durante a cesárea a mãe fica em posição horizontal (deitada) por pelo menos 12h. Só depois disso pode se levantar. Essa condição pode gerar uma dor de cabeça forte devido a baixa pressão do crânio, chamada de cefaleia pós raqui.

Além disso, a cesárea é uma cirurgia e, como toda a cirurgia, o período após o procedimento é dolorido. Nos dias seguintes à cesariana a mulher pode sentir dor em torno de onde foi feito o corte do parto, e por isso ter seus movimentos limitados.

“Tive meu segundo filho praticamente sem dor, depois de me dedicar sozinha à leitura sobre o parto humanizado, à prática dos exercícios e à aplicação dos conhecimentos adquiridos na hora do parto.”

A recuperação do parto normal é muito mais rápida e os laços mãe-bebê são muito mais fortes nesse procedimento, porque a primeira troca de olhares entre a mãe e o bebê ocorre junto com a descarga hormonal que precede o nascimento, e na qual abunda o chamado hormônio do amor, a oxitocina. A ligação criada desta forma é duradoura e profunda.

Uma das melhores formas de decidir o que fazer quanto ao parto é buscar informação, estudar sobre todo o processo de trabalho de parto, contar com um bom ginecologista obstetra que possa embasar a decisão da parturiente e, se possível, procurar uma doula que descreva métodos naturais para o alívio da dor.

Não se omite que o parto tem suas dores, mas elas podem ser transformadas em aliadas da gestante no momento em que trará seu filho ao mundo. Afinal, a dor pode ser amenizada à medida em que se pensa na beleza da geração de uma vida e do encontro entre os genitores e a criança: um momento único, que acompanhou a humanidade inteira e que muda a vida de quem passa por essa experiência.

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