Gravidez indesejada e aborto: porque é cada vez mais comum? (Parte 1)5 minutos de leitura

por Nove Meses

Tem coisa que parece que só acontece com os outros não é? com a filha da amiga da tia, com a prima da vizinha, com a irmã da colega de trabalho, com a menina que estudou com você um tempo atrás. Elas tiveram uma gravidez indesejada, pensaram em abortar, a vida delas estava tudo indo bem e aquilo mudou tudo.

Quando alguém me contava alguma histórias de gravidez indesejada eu me comovia, pensava que era uma situação diferente, mas nunca acreditei que iria acontecer comigo. Parecia que nem era uma possibilidade ou algo que eu tivesse que me preocupar. E na minha vida sempre tinha estas histórias, muitas meninas que eu conhecia ou tinham engravidado sem querer, ou conheciam alguém, muitas destas tinham abortado.

Lembrando bem, como o aborto foi se tornando comum, parece algo meio habitual neste meu mundo, tanta gente fala dele, mas ninguém diz que fez. É aquele assunto que parece que não voltou ninguém para contar a história, sempre fulana ou ciclana fez.

Eu lá tocando minha vida, com tudo planejado, ia terminar meus estudos, procurar um emprego, quem sabe se desse sorte fazer uma faculdade. Sempre fui uma aluna dedicada, claro que adorava conversar e me divertir, mas também estudava. Às vezes, sonhava em ter uma família, mas nunca me apaixonei fácil, era mais diversão mesmo tudo isso. Não tive nenhum namorado sério, sempre dei mais atenção para minhas amigas.

Então estar com as minhas amigas, sair à noite, nos divertir, ficar com alguns caras, eram nossos dias. E era todos finais de semana, tinha vezes que começava nas quintas. Quando dava eu saía de casa na sexta e só voltava domingo. Dormia na casa de alguma amiga, nunca pensei muito sobre isso.

Em uma destas festas encontrei um cara, ele era mais velho, lindo, conversamos, ele era diferente, atencioso, gostava de me escutar, começamos a nos ver sempre nas festas. Eu fui me encantando, mas não era ali da região, ninguém conhecia e sempre estava sozinho. Ao longo da semana conversávamos pelo telefone, ele falava tão bonito, parecia que eu era a pessoa mais importante da vida dele.

O que era difícil é que só conseguíamos nos ver quando ele podia, quando ele aparecia, mas quando ele não podia ir nas festas não gostava que eu fosse. Mesmo ele não conhecendo minha família e nem eu a dele, o nosso namoro começou a ir bem, me dizia para não contarmos para ninguém, em segredo era mais divertido. Ele cuidava de mim, sempre preocupado em saber o que eu estava fazendo, como me vestia, eu já estava apaixonada. Ele dizia que me amava muito, e me pediu uma prova do meu amor.

Então combinamos de passar a noite juntos, como já costumava dormir na casa das minhas amigas eu disse para minha mãe que iria estar com elas. E assim foi uma minha primeira vez, eu não sabia como seria, só minhas amigas que me contavam, nunca falei sobre isso com minha mãe, nem ninguém mais velha, mas eu já achava que estava pronta, todas minhas amigas não eram mais virgens, eu nem me sentia tão nova assim.

E assim foi indo nosso namoro, estávamos juntos tinha três meses, quando ele podia ele aparecia, eu já não saia mais com as meninas, ele não gostava que eu fosse ao baile sem ele, e quando ele vinha ficávamos só nós dois em noites deliciosas. Só que aos poucos fui vendo que ele queria saber muito o que eu fazia, controlava cada passo, e eu também não podia contar sobre nosso namoro, brigávamos quando estávamos longe, mas tudo se resolvia quando estávamos juntos.

Depois de umas semanas eu comecei a me sentir meio mal, muito sono, não conseguia mais estudar direito, uma certa moleza, tinha hora que me dava muita fome, aí eu comia e me sentia mal, achei que era uma virose ou coisa assim.

Eu conversei com a minha amiga, já fazia umas semanas que eu estava assim, ela perguntou da minha menstruação, eu disse que estava sem vir, mas também nunca veio direito. Ela era a única que sabia do meu namoro, pois eu dizia que ficava na casa dela, e sempre ia para lá depois. Então ela perguntou se eu não estava grávida. Eu achei que não fazia sentido nenhum isso, até parece que eu estaria grávida.

Mas assim que acabou a aula fomos até a farmácia comprar o exame de gravidez, deu positivo. Eu fiquei meio sem chão, parecia que minha vida ia desmoronar. Mas eu pensei que estava namorando, ele provavelmente ia ficar do meu lado, ele me amava. Então resolvi que queria vê-lo, e pedi para nos encontrarmos no mesmo dia. Ele disse que não podia, que só na outra semana, eu aceitei, também uma semana não ia mudar nada.

Eu estava com um mix de sentimentos, quando resolvi contar para ele já tinha certeza que ele ia aceitar, e íamos falar com meus pais juntos. Mas não foi bem assim, ele ficou muito bravo comigo, disse que eu fiz de proposito, que eu queria acorrentar ele, que eu não dava espaço para ele, que era culpa minha, e eu que teria que dar meu jeito, se eu quisesse interromper aquela gravidez indesejada ele pagava. Jogou um dinheiro em mim e foi embora.

Depois disso ele me bloqueou e sumiu, então aí que as coisas ficaram mais difíceis, eu não sabia como contar para os meus pais, eles nem sabiam que eu estava namorando, eu percebi que não sabia nada da vida do meu namorado. Que tudo o que ele me falava podia muito bem ser uma mentira.

Minha amiga disse que interromper aquela gravidez indesejada seria uma saída e que ela já tinha ouvido falar de várias meninas que fizeram, mas eu fiquei pensando como ficaria com aquilo na minha cabeça, ter matado meu filho. E de uma hora para a outra, aquela história que parecia que acontecia só com os outros estava acontecendo comigo.

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